Recentemente, recebi em casa a fatura do serviço de banda larga com um aumento significativo, de cerca de 40%. Ao me preparar psicologicamente para contatar o “eficiente” serviço de telemarketing da operadora de telefonia e dos serviços de banda larga, observei que no site da empresa havia uma promoção: o mesmo serviço que eu havia contratado por aproximadamente 1/3 do valor. Ora, ligo na empresa e migro o plano. Claro, eu sabia que não ia ser assim tão simples. E não foi. O atendente me explicou que a promoção era apenas para clientes novos. Pensei: resolvido. Cancelo o meu plano e logo depois contrato novamente. Mas isso também ia ser fácil demais. O simpático operador então me alertou que não sabia se o serviço – aquele baratinho – estava disponível na minha região. Parece que há um número limitado de linhas para cada área e eu poderia correr o risco de não encontrar mais linhas disponíveis. Ótimo. E como eu poderia obter essa informação? Em outro número de telefone, me informou. Com toda a calma do mundo, liguei no telefone informado e, adivinhem, a atendente não poderia me fornecer esse dado porque eu ainda estava com o serviço contratado. Respirei fundo e liguei no número anterior – aquele de atendimento ao cliente – e decidi cancelar o serviço. Após vários minutos conversando com o atendimento, finalmente consegui falar com o operador, que me faz várias propostas para continuar com o serviço. Óbvio. Nenhuma delas chegava ao valor que a empresa anunciava para clientes novos. A questão então era: cancelar efetivamente o serviço e tentar a sorte na promoção ou continuar com a internet pagando um pouco mais, mas ainda assim menos do que o que eles repentinamente começaram a me cobrar. Já impaciente, acabei continuando com o serviço por falta de opção, considerando que, infelizmente, o serviço oferecido pela concorrente não era exatamente um primor. E como não dá para ficar sem internet, fui obrigada a me render a essa fidelidade implícita, graças ao monopólio escancarado do serviço de telefonia fixa e de serviços de banda larga.
Diante desse desabafo, pergunto: como será possível o emplacamento do serviço de banda larga transmitido pela rede elétrica com todo esse oligopólio no País? Alguém duvida que a concorrência é o sistema mais adequado para proporcionar as melhores condições para os consumidores, forçando os fornecedores a aperfeiçoamentos? Não è a toa que a empresa de telefonia em questão bate, ano após ano, recordes em reclamações. Há muitos anos ouvimos falar do PLC, tecnologia que permite a transmissão de dados, som e imagem pela rede elétrica. Apesar da regulamentação do uso da tecnologia pela Aneel, o PLC ainda engatinha no País. Muitos testes foram realizados com sucesso em concessionárias de energia, mas terá esse mercado a chance de crescer algum dia? “A tecnologia hoje não é mais barreira para nada. As questões são puramente comerciais, de relação do custo e benefício que sempre é melhorada pelo ganho de escala”, disse um engenheiro especialista no assunto. Pra mim, o buraco é mais embaixo. Conservadorismo e conflito de interesses, como tudo no Brasil.
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