Chovia…. pouco, mas os vidros do carro embaçados já dificultavam a visão.
Horas depois, dirigindo perdida pelo centro da cidade, ela atentava às orientações das placas ao mesmo tempo em que seus pensamentos a levavam à cena que a obrigava a decidir seu futuro imediato.
Ela, que tanta dificuldade tinha para tomar uma decisão, fora facilmente convencida a fazer o que deveria ser feito: desaparecer e esquecer.
Quem dera fossem apenas devaneios de uma mente enfraquecida e cega pelo poder de sentimentos como amor, ciúmes, paixão e ódio misturados e que, juntos, impedem o sobressalto de um deles.
Era verdade. Mas por que ela? Por que ele a fazia chorar mais uma vez?
Conversaram, ele perguntava sobre sua família, ela questionava suas atitudes… riram, dançaram, brincaram. Ele a paquerava, ela o observava.
Brigaram. Ela não dá muita importância… era só mais uma.
Entretanto, pouco antes de deixar o lugar quente e barulhento, um beijo. Seus olhos verdes fechados. Sua boca levemente inclinada sobre outra boca. Não, não era a dela.
O mundo todo se confunde. Os pensamentos se embaralham. Tem que fazer alguma coisa, se ocupar com algo, mas o quê?
Os vidros insistiam em embaçar. Aos poucos, as gotas d’água cessam. Agora caem de seus olhos…
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