Sábado, 9h30 da manhã. O metrô não estava cheio, alguns bancos ainda estavam vazios. O trem estava parado na estação Vila Matilde do metrô. Algumas pessoas desciam, outras entravam no vagão. Após o sinal emitido pelo metrô, o aconselhável é que ninguém mais entre ou saia dele para que acidentes e atrasos sejam evitados. Todos ouvem o sinal, porém sempre há aqueles que, apressados, desafiam o tempo e o próprio limite para conseguir entrar no metrô que, em segundos deixará a estação.
Um garoto de aproximadamente 10, talvez 12 anos, desce a escada rolante com a sua mãe. Vê o trem parado, que acabara de dar o sinal de fechamento das portas, e desce as escadas com maior velocidade. Apressa-se mais e mais. Corre para pegar o trem como se aquele fosse o último dos trens. Parece esquecer de sua mãe. As portas iriam se fechar em segundos. O garoto, então, resolve arriscar e com um salto espetacular e desajeitado, adentra o vagão, fazendo um grande barulho. Todos reparam. Ele, somente agora, percebe que não estava sozinho. Olha desesperado para fora. Sua mãe mal acabara de descer as escadas. O menino parece assustado. Não olha para ninguém. Apenas apóia suas mãos na porta. Chama, grita pela mãe: “Vem mãe, vem mãe!!
O menino, de bermuda, camiseta, tênis e sem boné, agitado e angustiado não para de chamar pela mãe. As portas estão fechadas. Sua mãe, por meio de gestos, diz para ele descer e esperar na próxima estação. Ele parece não entender. Continua gritando, apoiado na porta fechada: “Mãe, vem mãe!!!” Indignado, revolta-se: “Mãe lerda!”.
O metrô, então, deixa a estação e nela, a mãe do garoto. As pessoas acham tudo muito engraçado. Riem. Não havia possibilidade de a senhora entrar no metrô, mas o menino insistia, batendo na porta: “Vem mãe, Vem mãe!!”. Uma senhora, passageira, comove-se e tenta explicar ao garoto o que sua mãe tentara dizer o tempo todo, para ele esperar por ela na próxima estação.
Ele entendeu, mas seu olhar ainda parecia perdido, confuso, deslocado.
Estação Penha. Ele desceu.
Bem legal o seu texto! Realmente, uma cena bem engraçada!!! Que bom que você arrumou tempo para compartilhar esse evento com as pessoas que não tiveram o privilégio de estar naquele vagão… Junto com o guri precipitado.
“Mãe lerda” foi demais! rs
Coisas de um metrô nada retrô. Todo dia um causo, uma história, tanta gente indo e vindo. Pra onde vai toda essa gente!? Gente igual, gente diferente, gente igual e gente, gente com dente, gente sem dente, gente ascendente e gente decadente, gente urgente mente pra passar à frente…
Quem tem pressa faz o causo, quem não tem conta pra gente.
Gostei da sua crônica metropolitana. Abraço.