Sei que o tema é super frequente, que não sou a primeira nem a última a falar sobre isso, mas não resisto. O que está acontecendo com São Paulo? Onde vamos parar? Melhor, vamos parar um dia? Aderimos ao “the city that never sleeps” novaiorquino como se a nós sempre pertencesse, mas nossa condição está na trilha de superar as leis físicas!
Horas de trânsito para chegar e voltar do trabalho, mas ok, vamos e voltamos em horário de pico. Porém, qual a explicação para a marginal estar parada em pleno domingo às oito da noite? E durante a madrugada? A justificativa são as obras, mas há tantos carros na rua que duas pistas da marginal – em plena madrugada – não são suficientes. Como assim?!?
Diante disso, você decide fugir do caos das ruas da cidade e opta pelo transporte público que, sabemos, não é dos melhores, mas talvez seja melhor que ficar horas a fio ouvindo repetitivamente aquele CD que vc adorava, mas que hoje não aguenta mais de tanto que já ouviu nesses momentos. Que nada! Troque o CD e volte para o seu carro. A situação é tão ruim quanto.
Há que suportar o calor humano e a cordialidade do brasileiro – no mais fiel sentido Sérgio Buarque de Hollanda. E novamente isso é físico: ora, toda ação gera uma reação. Logo, se você sente um empurrão da esquerda, vai pisar no pé do seu colega à direita. Como explicar isso para o amigo? E se for amiga então, a situação piora. Sou mulher – e com alguma envergadura feminista – mas há que se admitir. No metrô, quase sempre, onde há uma confusão, pode apostar que uma mulher está envolvida. Isso porque o homem até tolera um empurrão feminino, ao contrário de uma mulher, que se um homem encosta nela é porque está querendo se aproveitar e, logo, a confusão está armada. Por outro lado, se uma mulher se aproxima demais, a coisa também fica feia. É um tal de “Tá incomodada, vai de taxi”, “São todos uns cavalos mesmo!” que os outros usuários, já acostumados, apenas debocham da situação. E com razão! Todos os dias é a mesma coisa…
Mas bem, isso tudo é muito conhecido dos velhos e resignados usuários do metrô e trem paulistanos. Mas sabem a novidade? Unindo o útil ao agradável, o metrô resolveu inovar mais uma vez. E agora, a famosa “operação tartaruga” não entra em ação apenas em dias chuvosos. Temos agora diariamente congestionamentos na linha. Sim, o rápido e eficiente metrô tornou-se extremamente lento e ainda mais desgastante. A enorme demanda fez com que trens vazios fossem integrados à linha nas estações mais inflamadas de modo a desconcentrar a população nos vagões. O problema é que os trens continuaram igualmente cheios e a morosidade aumentou consideravelmente. Imagine-se preso em uma lata de sardinha. Agora, imagine-se preso em uma lata de sardinha por uma hora e meia. Este foi o tempo que levei, um dia desses, do metrô Itaquera ao metrô Barra funda, trajeto que outrora, em condições normais de operação, seria realizado em menos de 40 minutos. Você lê, cansa de ler, se apóia na outra perna, troca o braço de apoio; se estiver dormindo, acorda, muda de posição e volta a dormir e quando acordar, ainda estará no meio do caminho. A justificativa é dada pela voz que ecoa em alto e bom som em todos os vagões: “Paramos devido ao acúmulo de trens na linha”. Era só o que faltava!

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