Há alguns dias, numa aula da pós, discutimos um tema muito interessante que diz respeito a todos nós. Não sou uma ecochata, mas é inevitável que, em alguns momentos, pensemos a respeito do nosso legado para o mundo e, consequentemente, para o meio ambiente. Se tudo que fazemos tem alguma consequência, acho válido que avaliemos nossas atitudes, especialmente as relacionadas ao consumo, a fim de não contribuir ainda mais para a degradação do planeta.
Mais notadamente nesta última década, a preocupação com a segurança e com a manutenção do ambiente que nos envolve tem se tornado mais recorrente. Um detalhe interessante é que essa discussão passou a existir não somente em instituições ambientalistas ou em cúpulas governamentais. O tema ganhou os médios e pequenos debates e cada vez mais é pauta de reuniões de indústrias, empresas de pequeno a grande porte e, por que não, discussões familiares e entre amigos. Isso porque, aos poucos, alcançamos a consciência de que todos nós, individualmente, contribuímos para o desgaste ambiental.
No Brasil, com a instalação da indústria da energia, a demanda por eletricidade cresceu desmedidamente até o início do século XXI, quando passamos por um momento de desaceleração do consumo por conta de problemas de abastecimento. Foi então a partir de 2001, com o fatídico racionamento, que a população brasileira de modo geral acordou para uma questão que não era só nossa, mas de todo o planeta.
De fato, há alguns anos, talvez pouco mais de dez anos, diversas ações começaram a ser tomadas em todo o mundo a fim de minimizar os danos ambientais. Programas, regulamentos, projetos e iniciativas em geral passaram a ser criados com o propósito de estimular as pessoas e empresas – especialmente as grandes indústrias – a terem um consumo consciente, já que, como diz a sabedoria popular,“mais vale prevenir do que remediar”. Ou será que plantar árvores seria suficiente para reparar todo o estrago feito?
A “pegada ecológica”, ideia criada por William Rees e Mathis Wachernagel, propõe então um indicador de sustentabilidade que mede o impacto do homem sobre a Terra e calcula a área de terreno produtivo necessária para sustentar seu estilo de vida.
Desde os anos 1980 que a pegada ecológica ultrapassa a biocapacidade da Terra, conforme apontou o Índice Planeta Vivo, divulgado pelo WWF-Brasil. Este indicador descreve as condições da biodiversidade global e o nível de pressão na biosfera provocado pelo consumo humano de recursos naturais. O problema é que, conforme o relatório, em 2005, o consumo global da humanidade superou em cerca de 30% a capacidade regenerativa da Terra, o que significa que a população está transformando os recursos naturais em resíduos mais rapidamente do que a natureza consegue regenerá-los.
Em 2003, a pegada ecológica por brasileiro correspondia a 2,1 hectares globais, uma média razoável para o País, cuja biocapacidade existente é de 9,9 hectares globais per capita, graças à nossa grande extensão territorial. A questão é que, quando comparada à biocapacidade global do mundo todo, mesmo para o Brasil, há ainda um déficit ecológico de 0,4 hectares globais per capita. Isso sem considerar outros detalhes importantes que contribuem para a destruição ambiental, como desmatamentos e rios repletos de resíduos desses recursos naturais (ou não) destruídos.
Medindo o consumo humano de recursos naturais, é possível perceber a retirada feita e pensar em alternativas para repor o dano causado, preservando assim o equilíbrio. Além disso, calculada a pegada ecológica per capita, a responsabilidade de se fazer alguma coisa incide sobre as pessoas, individualmente. Este é um ponto positivo, visto que parece haver uma concepção generalizada de que apenas as indústrias devem se preocupar com as questões de sustentabilidade.
No Brasil, apesar de a pegada ecológica per capita estar abaixo da média mundial, há que se levar em conta outros indicadores e características do País. É relevante considerar que o Brasil continua em franco crescimento e precisa de medidas sustentáveis para que seu desenvolvimento não agrida o meio ambiente tanto quanto a maioria dos países desenvolvidos já fez.
Pensando em um crescimento sustentável, harmonizando as ações e as reações, a natureza possa talvez retribuir e nos ajudar a edificar um planeta em equilíbrio com os seus recursos.

Muito bom o post. Bem explicado e elucidativo. parabéns!=)
Parabéns pela postagem e pelo site, achei muito interessante.
Abraços,
Bruno Rezende
colunazero.com.br