Arquivo de abril \20\UTC 2010

“Circulando com velocidade reduzida e maior tempo de parada”

Sei que o tema é super frequente, que não sou a primeira nem a última a falar sobre isso, mas não resisto. O que está acontecendo com São Paulo? Onde vamos parar? Melhor, vamos parar um dia? Aderimos ao “the city that never sleeps” novaiorquino como se a nós sempre pertencesse, mas nossa condição está na trilha de superar as leis físicas!

Horas de trânsito para chegar e voltar do trabalho, mas ok, vamos e voltamos em horário de pico. Porém, qual a explicação para a marginal estar parada em pleno domingo às oito da noite? E durante a madrugada? A justificativa são as obras, mas há tantos carros na rua que duas pistas da marginal – em plena madrugada – não são suficientes. Como assim?!?

Diante disso, você decide fugir do caos das ruas da cidade e opta pelo transporte público que, sabemos, não é dos melhores, mas talvez seja melhor que ficar horas a fio ouvindo repetitivamente aquele CD que vc adorava, mas que hoje não aguenta mais de tanto que já ouviu nesses momentos. Que nada! Troque o CD e volte para o seu carro. A situação é tão ruim quanto.

Há que suportar o calor humano e a cordialidade do brasileiro – no mais fiel sentido Sérgio Buarque de Hollanda. E novamente isso é físico: ora, toda ação gera uma reação. Logo, se você sente um empurrão da esquerda, vai pisar no pé do seu colega à direita. Como explicar isso para o amigo? E se for amiga então, a situação piora. Sou mulher – e com alguma envergadura feminista – mas há que se admitir. No metrô, quase sempre, onde há uma confusão, pode apostar que uma mulher está envolvida. Isso porque o homem até tolera um empurrão feminino, ao contrário de uma mulher, que se um homem encosta nela é porque está querendo se aproveitar e, logo, a confusão está armada. Por outro lado, se uma mulher se aproxima demais, a coisa também fica feia. É um tal de “Tá incomodada, vai de taxi”, “São todos uns cavalos mesmo!” que os outros usuários, já acostumados, apenas debocham da situação. E com razão! Todos os dias é a mesma coisa…

Mas bem, isso tudo é muito conhecido dos velhos e resignados usuários do metrô e trem paulistanos. Mas sabem a novidade? Unindo o útil ao agradável, o metrô resolveu inovar mais uma vez. E agora, a famosa “operação tartaruga” não entra em ação apenas em dias chuvosos. Temos agora diariamente congestionamentos na linha. Sim, o rápido e eficiente metrô tornou-se extremamente lento e ainda mais desgastante. A enorme demanda fez com que trens vazios fossem integrados à linha nas estações mais inflamadas de modo a desconcentrar a população nos vagões. O problema é que os trens continuaram igualmente cheios e a morosidade aumentou consideravelmente. Imagine-se preso em uma lata de sardinha. Agora, imagine-se preso em uma lata de sardinha por uma hora e meia. Este foi o tempo que levei, um dia desses, do metrô Itaquera ao metrô Barra funda, trajeto que outrora, em condições normais de operação, seria realizado em menos de 40 minutos. Você lê, cansa de ler, se apóia na outra perna, troca o braço de apoio; se estiver dormindo, acorda, muda de posição e volta a dormir e quando acordar, ainda estará no meio do caminho. A justificativa é dada pela voz que ecoa em alto e bom som em todos os vagões: “Paramos devido ao acúmulo de trens na linha”. Era só o que faltava!

Pegada ecológica

Há alguns dias, numa aula da pós, discutimos um tema muito interessante que diz respeito a todos nós. Não sou uma ecochata, mas é inevitável que, em alguns momentos, pensemos a respeito do nosso legado para o mundo e, consequentemente, para o meio ambiente. Se tudo que fazemos tem alguma consequência, acho válido que avaliemos nossas atitudes, especialmente as relacionadas ao consumo, a fim de não contribuir ainda mais para a degradação do planeta.

Mais notadamente nesta última década, a preocupação com a segurança e com a manutenção do ambiente que nos envolve tem se tornado mais recorrente. Um detalhe interessante é que essa discussão passou a existir não somente em instituições ambientalistas ou em cúpulas governamentais. O tema ganhou os médios e pequenos debates e cada vez mais é pauta de reuniões de indústrias, empresas de pequeno a grande porte e, por que não, discussões familiares e entre amigos. Isso porque, aos poucos, alcançamos a consciência de que todos nós, individualmente, contribuímos para o desgaste ambiental.

No Brasil, com a instalação da indústria da energia, a demanda por eletricidade cresceu desmedidamente até o início do século XXI, quando passamos por um momento de desaceleração do consumo por conta de problemas de abastecimento. Foi então a partir de 2001, com o fatídico racionamento, que a população brasileira de modo geral acordou para uma questão que não era só nossa, mas de todo o planeta.

De fato, há alguns anos, talvez pouco mais de dez anos, diversas ações começaram a ser tomadas em todo o mundo a fim de minimizar os danos ambientais. Programas, regulamentos, projetos e iniciativas em geral passaram a ser criados com o propósito de estimular as pessoas e empresas – especialmente as grandes indústrias – a terem um consumo consciente, já que, como diz a sabedoria popular,“mais vale prevenir do que remediar”. Ou será que plantar árvores seria suficiente para reparar todo o estrago feito?

A “pegada ecológica”, ideia criada por William Rees e Mathis Wachernagel, propõe então um indicador de sustentabilidade que mede o impacto do homem sobre a Terra e calcula a área de terreno produtivo necessária para sustentar seu estilo de vida.

Desde os anos 1980 que a pegada ecológica ultrapassa a biocapacidade da Terra, conforme apontou o Índice Planeta Vivo, divulgado pelo WWF-Brasil. Este indicador descreve as condições da biodiversidade global e o nível de pressão na biosfera provocado pelo consumo humano de recursos naturais. O problema é que, conforme o relatório, em 2005, o consumo global da humanidade superou em cerca de 30% a capacidade regenerativa da Terra, o que significa que a população está transformando os recursos naturais em resíduos mais rapidamente do que a natureza consegue regenerá-los.

Em 2003, a pegada ecológica por brasileiro correspondia a 2,1 hectares globais, uma média razoável para o País, cuja biocapacidade existente é de 9,9 hectares globais per capita, graças à nossa grande extensão territorial. A questão é que, quando comparada à biocapacidade global do mundo todo, mesmo para o Brasil, há ainda um déficit ecológico de 0,4 hectares globais per capita. Isso sem considerar outros detalhes importantes que contribuem para a destruição ambiental, como desmatamentos e rios repletos de resíduos desses recursos naturais (ou não) destruídos.

Medindo o consumo humano de recursos naturais, é possível perceber a retirada feita e pensar em alternativas para repor o dano causado, preservando assim o equilíbrio. Além disso, calculada a pegada ecológica per capita, a responsabilidade de se fazer alguma coisa incide sobre as pessoas, individualmente. Este é um ponto positivo, visto que parece haver uma concepção generalizada de que apenas as indústrias devem se preocupar com as questões de sustentabilidade.

No Brasil, apesar de a pegada ecológica per capita estar abaixo da média mundial, há que se levar em conta outros indicadores e características do País. É relevante considerar que o Brasil continua em franco crescimento e precisa de medidas sustentáveis para que seu desenvolvimento não agrida o meio ambiente tanto quanto a maioria dos países desenvolvidos já fez.

Pensando em um crescimento sustentável, harmonizando as ações e as reações, a natureza possa talvez retribuir e nos ajudar a edificar um planeta em equilíbrio com os seus recursos. ;)


About me

Flávia Lima, jornalista especializada em energia que adora escrever, ama viajar e gostaria de ter mais tempo livre para "desperdiçá-lo" com coisas que realmente a deixam feliz...

Últimos posts

abril 2010
S T Q Q S S D
« fev   mai »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

Siga-me!

O que pensam deste blog

Passaram por aqui

  • 2,077 visitantes

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.